terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

deixa pra trás..


como se morrer fosse desaguar
derramar no céu, se purificar

deixa pra trás, sais e minerais.

evaporar.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Imergir.


Os cacos no jardim
Não vou tentar juntá-los
Melhor deixar o mar varrer

Navios dizem recomeço
Do mar ninguém chegou ao fim
Eu vou deixar seu nome imergir

Cartas, imergi-las
Fotos, imergi-las
Datas, imergi-las
Discos, imergi-los
Livros, imergi-los
Beijos, imergi-los
Rastros, imergi-los
Pro seu fim
Cansei de ser eu mesmo
Me deixa ser você
A vida não perdoa
Quem quer se reescrever


Cansei da minha rotina
Já não ouço o mesmo som
Cansei desse negócio de tentar ser bom

Cansei dos meus retratos
Da falsa sensação
De ter você por perto
E não seu coração


Cansei dos mesmos rostos

Dessa repetição

Me deixa ser o centro da sua distração

Cansei dos inquilinos

Da minha solidão

[...]

Cansei da velha idéia

[...]

Me entregue este controle
Me entregue a alma então
Amor você parece
Disco arranhado em vão
Pura repetição
Disco arranhado em vão
Pura repetição
Pura repetição


(Cansei - Silva)




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

"Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança"



E hoje, esta noite, esta semana...essa frase fez e faz tanto sentido, eu estava no metrô e esse trecho gritando na minha mente, peguei a caneta, abri o caderno e de alguma forma tentei ilustrar...ok, talvez sem êxito. Talvez seja tanto doar-se sem nenhum consolo, é tanto sentir e nenhum conforto, talvez pouco conforto, no momento só as notas soando no piano me trazem alguma paz, eu pensei que estivesse imune à estas sensações, achei que toda esta inquietação já estivesse fora de questão, todo incômodo, toda a ausência de sentido...o perder-se sem razão alguma, ou por todas as razões que há no mundo. O querer dizer tanta coisa, mas não ter o que falar.

Estar perdida em todas as tuas convicções, querer se esvaziar de si mesma, uma transição dura, um desconstruir violento e sem cautela.

"Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco"

Achei ter superado, mas não...nem sei bem o que estou dizendo, só sei que há muita ausência.

Um cansar do óbvio, e o que é esta vida além do que se cansar do óbvio? Se cansar das falhas diárias e de toda incompreensão, todas as portas estão fechadas.
Aceitar a condição, dispensar a previsão.

Quanta capacidade desperdiçada, quanta lucidez, quanto abandono.

Eu tenho medo, estou com esse medo atravessado, uma angústia incessante, o medo de perder totalmente o que já foi se perdendo ao longo dos anos, lentamente, e ainda é vital, sempre será, toda a perturbação, e as relações conturbadas e mescladas entre si, sempre tão avessas e eu no meio da troca de tiros dentro de uma guerra entre os dois, uma guerra em que ambos emudeceram e as palavras não podem ser ditas, me usam como porta voz para gritarem todo esse silêncio sufocado pelo tempo. E eu como irei aguentar? Não sei.

A gente passa a vida toda construindo aquilo que se quer ser, absorvendo valores, objetivos e ideais, pra que em certo momento da vida você se depare com tudo o que pensa ser e queria simplesmente desconstruir, se não tudo, ao menos em parte, refazer o que já não acha tão relevante, justo, nobre.

Tá tudo muito pesado.

transição lenta, a dificuldade em negar a si mesmo, me aproximar outra vez, só queria ser sincera e mostrar todas as minhas dúvidas. Essa vontade de abandonar pra sempre o passado, e simplesmente me recusar a aceitar o descaso e as migalhas de atenção de quem mais uma vez eu me importo, e muito. Manter uma distância confortável de tudo isso, de todas estas pessoas, de todo o dedicar-se em vão. Me desprender, lidar com o fato de ter me cansado de quase tudo, eu só não consigo negar o que sinto. Mergulhar no que pode ser novo, tentar não ser óbvia, lidar com o inconstante. Desejar o desconhecido, querer vivenciar o improvável e acreditar nele há cada segundo, simplesmente porque faz com que eu me sinta viva de uma forma muito lúcida e clara e se tiver errado, posteriormente saberei.

A idéia e todos esses pensamentos podem me soar absurdos daqui há um mês, mas agora eu não posso e nem quero negar o quanto isso é nítido, o quanto é real. Eu não te conheço, e posso estar louca, mas o meu achar deve fazer algum sentido, ao menos ele já fez. Estou disposta a descobrir até que ponto podemos ir, aonde poderemos chegar. Eu sei que você também pode fazer com que eu descubra o caminho, mas não sem antes viver toda a intensidade de cada momento.

Não quero mais estruturas convencionais, só o sentir, não importa o quão desordenado ele seja.

"Eu posso estar maluca, mas você é mesmo interessante".

E eu quero mesmo que aquele sonho seja real, cada segundo dele.




terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sem justificar.


Há muito não venho por aqui, há mais tempo do que posso calcular, e não falo em dias ou meses, falo da intenção. Bem, mas novamente me deparo com a necessidade de transcrever, ou sei lá, quem sabe traduzir um turbilhão de pensamentos e indagações.

"Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim"


Oh! Debussy, acalma minha mente inquieta. Clair de lune.

sábado, 24 de julho de 2010

Há uns dias atrás, em uma das minhas madrugadas peguei o caderno e a caneta e rabisquei uns versos que virou canção...


Decifrar

Decifrar a fração de segundo
do pensamento que embaça
toda a visão deste mundo

Ter onde guardar o que se passa aqui dentro, me escondendo do tempo
despistando a fraqueza, esquecer de quem sou, da onde vim, pra onde vou
e me lembrar do que é bom

Como num filme que faz
a realidade sumir por um instante
conduzindo um sorriso fugaz e inconstante

Gritar sem se ouvir e
se permitir sentir
o que não se pode descrever
como um eterno enigma
O sangue que não se estanca
a paz que não se compra
o preço que não se vê
por tudo o que me impede
de decodificar o viver...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Da projeção à sensação.

Quando eu tinha uns 8 anos eu me descobri apaixonada por guitarras, e toda vez que eu ouvia um solo de guitarra em algum vinil do meu pai eu ficava fascinada, pois eu sentia cada nota daquela sequência de sons, era incrível, excitante. Desde então eu percebi que há cada sensação eu descobria um pouco mais sobre mim e tem sido assim, cada projeção que faço sobre o que seja, é baseada na sensação que espero sentir, a ânsia de me livrar desta insegurança crônica, desta vontade de inspirar e respirar todo o ar que me é negado, o alívio de não esconder o quanto posso ser densa, inconstante, insistente. Não sei até que ponto posso tolerar a insensibildade humana, eu admiro tantas coisas, a capacidade de ser altruísta sem precisar esfregar, escancarar isso ao outros, a competência em ser sincero, honesto e se desfazer de tanto egocentrismo. Quase sempre me preocupo com um certo potencial que tenho, me considero uma forte candidata ao 'cargo' de 'depressiva', eu sempre grito em silêncio e a escuridão do meu quarto me consome e me diminui, alguns medos me sufocam, e tenho a impressão de sentir todas as emoções e sensações do mundo em uma fração de segundos, num insconsciente suspiro me deparo com lembranças e com memórias que se juntam aos pensamentos, estes que ao que me parece nunca consegueriam ser traduzidos, a velocidade na qual eles se formam se assemelha a velocidade da luz, vejo a tecnologia tão avançada e me pergunto porque ainda não fizeram algum aparelho que pudesse decodificar pensamentos, e assim nos livrar do peso que é pensar o tempo inteiro, seria confortante descarregar o turbilhão que se forma a cada instante seria como tirar férias de mim, das minhas dúvidas, dos tais anseios, só até eu poder me refazer e voltar a carregar tudo outra vez, não há distinção entre eles sejam bons ou ruins eles pesam, a projeção se fez antes e ela também está lá dentro o tempo todo, o mais engraçado é que existem também os momentos em que a alegria me toma a alma e pareço que vou explodir, e que se caso isso acontecesse cada parte de mim cintilaria em fragmentos de sonhos, são tantas as razões que me deixam bem, mas eu me pergunto se elas são maiores do que as que me deixam mal?! Por vezes penso que sim, pela simplicidade de cada sentimento, e ao mesmo tempo pela dimensão deles, e talvez seja, não sei bem, me ocorre tanta oscilação, não há como entender, e há, é extremamente confuso, metafísico demais, não quero me prender eu busco o que liberta, e eu encontrei está escrito e é assim que sinto, fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem e depois de tantos fatos, de tantas dores, eu pensava já ter sentido todo o desespero que eu podia suportar, mas não...eu nunca havia sentido tanto medo como eu senti na madrugada do último dia 4, minha mãe ali nos meus braços, o peito dela saltava como se o coração fosse parar depois de bater muito rapidamente, e eu perdi o ar o nó se formou na minha garganta e doía como uma foíce, e eu depositei toda a esperança em minha fé em uma crença que há algum tempo atrás era inexistente devido a uma porção de fatores e nela eu me refugiei, pedi para que ela não fosse embora, que ela não me deixasse, pois mesmo com tantos problemas, com tantas diferenças, eu percebi que nada disso era maior do que o meu amor e isso foi por pouco e novamente posso dizer que hoje vejo a minha fé inabalável, não importa o que haja, nós se quer imaginamos a dimensão que um sentimento pode ter, acho que só em momentos assim quando se está prestes a perder algo que lhe é vital é que você caí em sí...e vê que faria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo para não sentir tal sensação, tal dor. Dor, uma palavra tão frequente no meu vocabulário, palavra que denomina a sensação que mais detesto e ela também é anexada à palavras, me surpreendo com a capacidade de ferimento que uma palavra pode causar são como lâminas afiadas, são como ferros em brasa dissecando a pele, são danos irreparáveis,são feridas que nem sempre cicatrizam, pulsações desenfreadas, atinge o seu ápice quando são processadas, mas nem sempre entendidas, faz sangrar sem derramar uma gota, e pode parecer exagero, mas não por quem sentiu. Não tente dominar uma dor, não se pode, não é possível. No entanto, eu ouvi dias atrás um comediante falando que não temos problemas tão reais nesta vida, todos eles tem prazo de validade,mais dia, ou menos dia ele passa, querendo ou não o tempo é o antibiótico da vida, é como um antiflamatório para as nossas feridas, a cura de tantas inflamações, cabe a nós ter aquela que não é chamada de virtude a toa: paciência! Somos tão excêntricos, temos a idéia fixa de que tudo o que pensamos, acreditamos, gostamos ou queremos é o certo, é o melhor, é mais plausível, é mais digno e louvável, seria tolice pensar que não? Não, acontece que tudo o que nos convém é mais é mais estético, é aceitável, compreensível, ético, justo, e belo. Tudo seguindo medidas, o equílibrio é preciso!

Eu sempre mantive uma distância confortável do mundo, não..não, eu estou nele, dentro dele.

É, eu descobri também que em cada canção que escrevo eu descubro um pouquinho mais de mim, em toda essência, ou do que pareço refletir.

Eu sou uma eterna antítese!